A contabilidade consultiva para franquias representa uma abordagem estratégica para que franqueadores e franqueados tomem decisões apoiadas em informações financeiras, contábeis e operacionais. Em vez de se limitar ao registro das operações e ao cumprimento das obrigações, essa modalidade utiliza relatórios e indicadores para apoiar o planejamento da rede e de cada unidade.
Dessa forma, a SHC Contabilidade oferece soluções personalizadas que transformam dados contábeis em informações úteis para a gestão das franquias. Entretanto, a contabilidade consultiva não garante crescimento, redução de custos ou aumento da rentabilidade.
Além disso, a Lei nº 13.966/2019 estabelece regras para o sistema de franquia empresarial e para a Circular de Oferta de Franquia, a COF. Portanto, a organização das informações financeiras e operacionais é relevante tanto para a gestão quanto para o cumprimento das obrigações do franqueador.
Neste artigo, exploraremos como a contabilidade consultiva pode ser aplicada em redes de franquias, com exemplos práticos, indicadores e orientações para melhorar a qualidade das decisões.
O Que É Contabilidade Consultiva e Sua Importância Para Franquias?
A contabilidade consultiva vai além do cumprimento fiscal e tributário. Ela utiliza dados históricos, projeções, comparações e indicadores para auxiliar gestores na avaliação dos resultados.
No contexto das franquias, isso pode significar auxiliar:
- O franqueador no acompanhamento do desempenho da rede;
- O franqueado na gestão financeira da própria unidade;
- A rede na padronização dos critérios de análise;
- Os gestores na identificação de desvios;
- A administração no planejamento de investimentos.
A contabilidade consultiva para franquias pode ajudar a identificar oportunidades de redução de despesas, revisar preços, avaliar margens e acompanhar riscos financeiros.
Assim, franqueadores podem estabelecer padrões de informações gerenciais para a rede, enquanto os franqueados recebem relatórios voltados à realidade de suas unidades.
É importante, porém, preservar a autonomia jurídica e contábil das empresas. Em regra, franqueador e franqueado são pessoas jurídicas independentes, e a Lei nº 13.966/2019 estabelece que a relação de franquia não caracteriza relação de consumo nem vínculo empregatício entre o franqueador e o franqueado ou seus empregados, ainda que durante treinamento.
Por exemplo, uma rede de alimentação pode utilizar dados contábeis e gerenciais para comparar margens de produtos em diferentes regiões. Essa análise pode indicar a necessidade de investigar custos, desperdícios, preços ou características locais.
A SHC Contabilidade pode apoiar a criação desses relatórios, sem substituir as decisões comerciais do franqueador ou do franqueado.
Benefícios da Abordagem Consultiva no Setor de Franquias
Uma das principais vantagens é a possibilidade de tomar decisões com base em informações verificáveis.
Com relatórios de indicadores financeiros, os gestores podem acompanhar:
- Receita;
- Margem bruta;
- Margem de contribuição;
- Despesas fixas;
- Despesas variáveis;
- Ponto de equilíbrio;
- Capital de giro;
- Inadimplência;
- Rentabilidade;
- Retorno sobre investimentos;
- Prazo de retorno estimado;
- Geração de caixa.
Entretanto, indicadores como ROI e prazo de retorno devem ser calculados com critérios padronizados. Projeções não representam garantia de resultado futuro.
A contabilidade consultiva também pode auxiliar no planejamento tributário. Contudo, o regime tributário de cada franqueado deve ser analisado individualmente, conforme sua atividade, receita, estrutura de custos e impedimentos legais.
Fator “R” no Simples Nacional
O fator “r” não se aplica a toda franquia de serviços apenas por ela integrar uma rede.
Sua aplicação depende da atividade efetivamente exercida pela empresa e de seu enquadramento nas hipóteses previstas pela Lei Complementar nº 123/2006.
Para as receitas sujeitas ao fator “r”, o cálculo considera a relação entre:
- Folha de salários e encargos dos 12 meses anteriores;
- Receita bruta acumulada nos mesmos 12 meses.
Quando o resultado for igual ou superior a 28%, a receita abrangida pela regra é tributada pelo Anexo III. Quando for inferior a 28%, a tributação ocorre pelo Anexo V.
As alíquotas nominais iniciais são de 6% no Anexo III e 15,5% no Anexo V. No entanto, a alíquota efetiva depende da receita bruta acumulada nos 12 meses anteriores e da parcela a deduzir correspondente à faixa.
Portanto, antes de calcular o fator “r”, é necessário confirmar se a atividade da unidade franqueada está sujeita a essa regra.
Também não é adequado aumentar artificialmente o pró-labore ou realizar contratações desnecessárias apenas para alterar o anexo. A análise deve considerar os encargos previdenciários, os custos trabalhistas e a necessidade real da operação.
A SHC Contabilidade pode acompanhar esse cálculo quando ele for aplicável.
Além disso, o controle de royalties, taxas de propaganda e demais valores previstos no contrato deve ser realizado com critérios claros.
O tratamento contábil e tributário desses pagamentos depende de fatores como:
- Natureza da cobrança;
- Contrato de franquia;
- Forma de cálculo;
- Beneficiário;
- Retenções aplicáveis;
- Documento fiscal;
- Regime tributário das partes.
A Lei de Franquias exige que a COF apresente informações sobre taxas periódicas e outros valores pagos pelo franqueado ao franqueador ou a terceiros indicados, detalhando suas bases de cálculo e finalidades.
Legislação Atualizada e Aspectos Tributários em Franquias
A Lei nº 13.966/2019 permanece como a norma geral do sistema de franquia empresarial no Brasil.
A legislação exige que o franqueador forneça ao interessado uma Circular de Oferta de Franquia escrita em língua portuguesa. A COF deve conter informações relevantes sobre a rede, o investimento, as taxas, as obrigações contratuais e a situação econômico-financeira do franqueador.
A COF deve ser entregue ao candidato com antecedência mínima de dez dias da assinatura do contrato ou pré-contrato de franquia ou do pagamento de qualquer taxa ao franqueador ou a pessoa ligada a ele.
A contabilidade pode fornecer dados para a elaboração e atualização das informações financeiras. Entretanto, a responsabilidade pela COF é do franqueador, e sua revisão jurídica deve ser realizada por profissional habilitado.
A contabilidade consultiva para franquias também envolve a revisão periódica dos regimes tributários.
Cada empresa da rede pode possuir realidade distinta em relação a:
- Atividade;
- Município;
- Estado;
- Faturamento;
- Folha;
- Margem;
- Forma de venda;
- Retenções;
- Benefícios fiscais;
- Operações interestaduais;
- Regime tributário.
Portanto, o fato de duas unidades utilizarem a mesma marca não significa que terão obrigatoriamente a mesma carga tributária.
O Simples Nacional possui faixas progressivas, mas a análise não deve considerar apenas a alíquota nominal. Também devem ser avaliados os tributos recolhidos fora do DAS, os sublimites e as obrigações específicas da atividade.
Em cenários de expansão internacional ou abertura de novas unidades, informações contábeis padronizadas podem apoiar a apresentação do desempenho da rede a investidores e instituições financeiras.
Entretanto, a obtenção de investimento ou financiamento depende da análise do interessado e não é garantida pela existência de relatórios contábeis.
Exemplos Práticos de Aplicação em Redes de Franquias
Considere uma franquia de clínicas de estética.
Por meio da contabilidade consultiva para franquias, é possível mapear o custo por atendimento e identificar variações entre unidades.
Essa análise pode considerar:
- Insumos;
- Folha;
- Comissões;
- Aluguel;
- Tributos;
- Taxas da franquia;
- Descontos;
- Capacidade ociosa;
- Preço médio;
- Margem por serviço.
Com essas informações, os gestores podem investigar se as diferenças decorrem de preços, desperdícios, custos locais, volume de atendimentos ou falhas nos registros.
Outro cenário hipotético é o de uma rede de educação com receitas sazonais. O uso de dados históricos pode ajudar a projetar períodos de menor entrada de recursos e planejar a necessidade de capital de giro.
Esses exemplos não representam casos comprovadamente atendidos pela SHC Contabilidade e não garantem aumento de margem ou redução de perdas.
Diagnóstico Financeiro e Controles Internos nas Franquias
Um dos pilares da contabilidade consultiva é o diagnóstico dos controles financeiros e contábeis.
Saiba mais sobre Diagnóstico de Controles da Franquia: Sinais de Alerta na Gestão para identificar possíveis problemas na operação.
Diferenças entre unidades podem decorrer de:
- Características regionais;
- Divergências cadastrais;
- Falhas de treinamento;
- Critérios contábeis distintos;
- Informações incompletas;
- Desperdícios;
- Preços diferentes;
- Fraudes ou erros;
- Estruturas de custos distintas.
Por isso, antes de classificar uma variação como problema, é necessário verificar sua causa.
Entre os indicadores que podem ser utilizados estão:
- Ticket médio;
- Margem de contribuição;
- Ponto de equilíbrio;
- Giro de estoque;
- Desperdício;
- Custo de pessoal;
- Taxa de ocupação;
- Inadimplência;
- Prazo médio de recebimento;
- Prazo estimado de retorno.
O prazo de retorno, também chamado de payback, é uma estimativa e depende das premissas adotadas. Ele não garante que o investimento será recuperado no período projetado.
Rentabilidade em Franquias: O Que Avaliar Antes de Expandir é outro tema relacionado. A contabilidade consultiva pode fornecer simulações baseadas nos dados históricos e nas premissas da nova unidade.
Dessa forma, o gestor pode avaliar riscos antes de realizar o investimento, sem presumir que a expansão será lucrativa.
Passos Práticos para Implementar a Contabilidade Consultiva
1. Avaliação inicial
Realize um mapeamento dos processos financeiros e contábeis atuais.
Verifique:
- Sistemas utilizados;
- Plano de contas;
- Centros de custos;
- Contas bancárias;
- Documentos fiscais;
- Relatórios;
- Estoques;
- Folha;
- Royalties;
- Taxas de propaganda;
- Receitas e despesas.
2. Definição de indicadores
Escolha métricas compatíveis com o modelo da franquia.
Os indicadores devem possuir:
- Conceito claro;
- Fórmula padronizada;
- Fonte identificada;
- Periodicidade;
- Responsável;
- Critério de comparação.
3. Integração de ferramentas
Utilize sistemas que permitam integrar informações financeiras, fiscais, contábeis e operacionais.
Entretanto, a automação não elimina a necessidade de conferir cadastros e parâmetros.
4. Padronização dos dados
A rede deve definir critérios comuns para classificar receitas, despesas, estoques e taxas.
Sem padronização, a comparação entre unidades pode produzir conclusões incorretas.
5. Monitoramento periódico
Estabeleça relatórios mensais ou trimestrais conforme as necessidades da rede.
A periodicidade deve permitir que desvios sejam identificados em tempo adequado para análise.
6. Revisão das decisões
Compare o resultado das decisões com as projeções anteriores.
Essa revisão ajuda a identificar premissas incorretas e melhorar os próximos planejamentos.
A SHC Contabilidade pode orientar esses passos, mas a qualidade dos relatórios depende do envio completo e correto das informações pelos responsáveis.
Impacto Econômico e Social da Contabilidade Consultiva
A utilização de dados pode melhorar o processo de decisão e a identificação de inconsistências.
Entretanto, não é possível afirmar que redes que adotam a contabilidade consultiva necessariamente:
- Crescem de maneira consistente;
- Geram mais empregos;
- Aumentam a rentabilidade;
- Reduzem o endividamento;
- Tornam-se mais competitivas;
- Produzem maior impacto social.
Esses resultados dependem do mercado, da execução, da demanda, da gestão e da situação financeira das unidades.
A transparência dos critérios de cálculo pode contribuir para a comunicação entre franqueador e franqueado, mas não elimina divergências contratuais ou comerciais.
Contabilidade Para Franqueadores com Foco em Expansão Saudável
Saiba mais sobre Contabilidade Para Franqueadores com Foco em Expansão Saudável para entender como alinhar informações financeiras à estratégia de crescimento.
Relatórios gerenciais padronizados podem ajudar o franqueador a avaliar o desempenho agregado da rede e identificar unidades que merecem análise adicional.
Entretanto, isso não significa que as demonstrações contábeis do franqueador e dos franqueados devam ser automaticamente consolidadas.
Franqueador e franqueados são, em regra, entidades independentes. A consolidação contábil de demonstrações depende da existência de controle conforme as normas contábeis, e não apenas do contrato de franquia.
Para acompanhar a rede, podem ser utilizados relatórios gerenciais consolidados ou painéis de indicadores, desde que:
- Os critérios sejam padronizados;
- Os dados sejam confiáveis;
- O compartilhamento seja autorizado;
- A confidencialidade seja preservada;
- Não sejam apresentados como demonstrações contábeis consolidadas quando não houver controle.
Além disso, informações contábeis organizadas podem apoiar avaliações econômicas da marca ou da empresa.
Contudo, o valuation depende de metodologia, premissas, riscos, projeções e condições do mercado. Os dados contábeis, isoladamente, não determinam o valor de uma franquia.
Dúvidas Frequentes Sobre Contabilidade Consultiva Para Franquias
1. Como a contabilidade consultiva ajuda a reduzir riscos na expansão?
Ela pode fornecer projeções baseadas em dados históricos, custos previstos e premissas documentadas.
Entretanto, as projeções não eliminam os riscos da abertura de novas unidades.
2. Qual é a importância do fator “r” para franquias no Simples Nacional?
O fator “r” é relevante somente para receitas de atividades submetidas a essa regra.
Quando aplicável, define a tributação pelo Anexo III ou V conforme a relação entre folha e receita.
3. Como identificar sinais de alerta na gestão financeira?
Por meio de diagnósticos que comparem receitas, despesas, margens, estoques, endividamento e fluxo de caixa.
Variações precisam ser investigadas antes de serem classificadas como irregularidades.
4. É possível integrar dados de várias unidades em um único painel?
Sim, desde que os sistemas permitam a integração e sejam observados os critérios de acesso, confidencialidade e padronização.
O painel gerencial não deve ser confundido com consolidação contábil obrigatória.
5. Quais são os principais benefícios para os franqueados?
A abordagem pode melhorar:
- Controle do caixa;
- Conhecimento dos custos;
- Acompanhamento das margens;
- Planejamento tributário;
- Comparação entre projeções e resultados.
Os benefícios dependem da qualidade das informações e da utilização dos relatórios.
6. Como avaliar a rentabilidade antes de expandir?
Utilize cenários que considerem investimentos, capital de giro, despesas, impostos, royalties, taxas e projeções de receita.
Rentabilidade em Franquias: O Que Avaliar Antes de Expandir apresenta os principais fatores.
7. Por que contratar uma contabilidade especializada em franquias?
O setor possui particularidades como royalties, taxas de propaganda, padronização de informações e relacionamento entre empresas independentes.
A especialização pode facilitar a identificação dessas questões, mas não garante economia ou resultados financeiros.
Para mais detalhes, entre em contato com a SHC Contabilidade.
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Em resumo, a contabilidade consultiva para franquias pode apoiar decisões por meio de relatórios, projeções, indicadores e comparações.
A SHC Contabilidade pode auxiliar desde o diagnóstico dos controles até a elaboração de informações gerenciais para franqueadores e franqueados.
Entretanto, relatórios contábeis e projeções não garantem crescimento, rentabilidade ou sucesso na expansão.
Portanto, utilize os dados como apoio às decisões e revise periodicamente as premissas utilizadas.